quinta-feira, 30 de abril de 2026

Design de Interfaces, Mediação e Game-Based Learning no AVA

 Fala, aventureiros!

Compartilho nesta postagem a reflexão e o produto desenvolvidos para a atividade referente ao Problema 7. O desafio central consistiu em pensar como o design e a estrutura de um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) podem atuar como promotores reais de engajamento e aprendizagem coletiva, superando o uso puramente de repositório.

Para transformar o AVA em um território de colaboração, é preciso, primeiramente, distinguir e articular dois conceitos fundamentais: interação e interatividade. Compreendo a interação como a ação recíproca e intersubjetiva entre os sujeitos, focada na construção mútua e colaborativa do conhecimento (Pimentel, 2013). Em contrapartida, a interatividade diz respeito à relação do usuário com a tecnologia, configurando a ação humana sobre a máquina e as potencialidades técnicas do meio. Quando o design da interface dialoga de forma equilibrada com esses conceitos, evitamos o uso bancário do AVA e superamos o modelo reativo de simplesmente depositar tarefas e sair.

Nesse sentido, o design da interface assume um papel central. A interatividade e a usabilidade do design digital devem garantir a clareza cognitiva e orientar a ação do usuário (Passos & Behar, 2012; Bortolás & Vieira, 2014). O AVA, estruturado na perspectiva da Ciência da Informação (Rodrigues & Santos, 2019), precisa ser visualmente organizado para guiar o estudante. A interface favorece a aprendizagem coletiva quando apresenta recursos de feedback imediato do sistema, como barras de progresso visuais e selos gamificados, validando a interatividade com a máquina de forma atrelada a espaços estruturados para a interação humana. Em vez de um fórum livre e confuso, a interface delimita as formas de participação através de tópicos de avaliação por pares, criando um cenário inclusivo e social (Kümmel et al., 2020; Dlamini, 2023), no qual o estudante entende que o sistema o acompanha, mas é a troca com o colega que consolida o saber.

Para aplicar essa transformação na prática e desenhar a proposta para os alunos na graduação em Pedagogia (onde atuo como professora estagiária na disciplina EDUTIC), iniciei o processo pedindo a geração de uma atividade colaborativa com foco em Game-Based Learning (GBL). 

Foi gerado esse promet:

terça-feira, 28 de abril de 2026

Navegação em Rede: Os Caminhos do PBL 7 e o Reencontro Presencial

 Fala, aventureiros!


O encontro de ontem da disciplina TDE foi marcado por um momento muito especial: o nosso retorno às aulas presenciais. O ambiente da sala de aula e o contato direto trouxeram uma energia renovada para o nosso ciclo de debates, fortalecendo ainda mais as ricas trocas que a metodologia PBL nos proporciona.

Para marcar esse reencontro físico, vivenciamos uma dinâmica de acolhimento muito bacana e motivacional. Escrevemos mensagens de nós para nós mesmos e, em seguida, fizemos um sorteio, resgatando os recados como se fossem uma cápsula do tempo. O bilhete que chegou até mim trouxe um lembrete valioso e exato para o nosso atual momento no doutorado: "Siga firme, você já não está no mesmo lugar em que estava há três meses atrás. Conhecimento é construção!"

Iniciamos a sessão com a finalização do PBL 6, que teve como foco central os dispositivos móveis. Durante o fechamento deste problema, a nossa discussão convergiu, mais uma vez, para a base da nossa prática: a intencionalidade docente. Refletimos que o simples fato de inserir artefatos móveis nas aulas não leva, automaticamente, a um desempenho melhor ou a uma aprendizagem mais profunda. A tecnologia, por mais imersiva que seja, não age sozinha; o sucesso de qualquer prática pedagógica com esses artefatos depende da intencionalidade do professor, do planejamento e de como ele orienta o processo de ensino.

Com essa base consolidada, demos início ao PBL 7, guiados pelo "Problema 7 - Interfaces Digitais e Interatividade". A abertura deste novo ciclo exigiu de nós um esforço conceitual importante: a necessidade de diferenciar interação de interatividade.

Discutimos brevemente que, embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos no senso comum, eles possuem naturezas distintas no campo educacional e tecnológico. Compreender e separar esses conceitos é fundamental para que, como educadores e pesquisadores, possamos desenhar experiências de aprendizagem onde a alta interatividade de um software ou dispositivo sirva, de fato, para potencializar as interações humanas e a construção do conhecimento, e não apenas para promover cliques mecânicos em uma tela.

Foi um retorno presencial intenso, que nos deixou com excelentes provocações para o desenvolvimento deste sétimo ciclo!





domingo, 26 de abril de 2026

O Silêncio da Manhã e o Doce Peso do Saber

O silêncio de uma manhã de domingo tem uma textura particular. Ele começa na cozinha, com o som do leite sendo espumado e o fio de mel caindo lentamente no fundo da xícara. O chão frio sob os pés descalços enquanto caminho até o escritório é o lembrete físico de que o dia começou. Mais um dia de leituras, de escrita, de tentar dar conta da imensidão que é uma pesquisa de doutorado.

​Sentada na cadeira, com a tela do notebook iluminando o rosto e a xícara quente nas mãos, é muito fácil cair na armadilha da exaustão. Nós, que vivemos a rotina acadêmica e docente, frequentemente nos pegamos reclamando. Reclamamos da correria, da pilha interminável de artigos, das demandas da semana, da pressão que é construir uma tese e ainda equilibrar os pratos da vida. A sensação é de que estamos sempre devendo tempo a nós mesmas.

​Mas hoje, enquanto o vapor do café subia e o Apolo provavelmente aproveitava o silêncio da casa para descansar, um pensamento me atravessou com uma clareza imensa: eu estava reclamando do meu maior privilégio.

​Ter que "dar conta de tanta coisa" no campo do estudo é, na verdade, uma dádiva que escapa a tantas pessoas. Olhei para a minha mesa. O computador à minha frente, a conexão com o mundo, os livros empilhados, os artefatos tecnológicos que me permitem acessar qualquer banco de teses do planeta em segundos. Eu tenho um espaço seguro e confortável. Eu tenho os meios. Eu tenho o tempo em uma manhã de domingo para simplesmente sentar e pensar.

​Quantas pessoas não dariam tudo para ter esse mesmo cansaço? Quantos não têm o básico, quanto mais um ambiente propício para o letramento digital, para a expansão da mente e para a construção do conhecimento?

​Estudar exige muito de nós, sim. Mas é um espaço de poder e de transformação. Quando focamos apenas no cansaço e no volume de trabalho, nós nos esquecemos da beleza que é ter a mente provocada, de poder questionar o mundo e de construir algo novo por meio da educação. Ter um domingo livre para escolher sentar e estudar não é um castigo da vida adulta; é uma oportunidade rara.

​O peso da tese e dos estudos de repente se tornou mais leve. O café pareceu até mais doce. Que a gente nunca perca a capacidade de reconhecer o lugar que ocupamos e as ferramentas... ou melhor, os artefatos que temos à nossa disposição para transformar a nossa realidade e a dos outros.

​A palavra final para essa manhã de domingo, e para toda essa jornada, não poderia ser outra.

Gratidão.





Pausas, leituras, e um Enigma na Terra-média

 1. O Tempo Expandido e a "Pausa" Necessária 

Esse intervalo longe dos nossos encontros presenciais foi tudo, menos um descanso. A rotina foi ditada pelos trabalhos. Primeiro, o intenso Estudo Dirigido sobre o Capítulo XV de Álvaro Vieira Pinto. Foi um momento de sentar, ler com calma (e estranhar o texto quando necessário!) para tentar articular a tecnologia como fenômeno histórico e social, colocando Pinto para dialogar com as ideias de Pierre Lévy.

Depois, veio o mergulho profundo no dia 20 de abril, totalmente dedicado à escrita do nosso artigo. Entre revisar rascunhos, buscar um periódico de alto impacto e lutar contra a formatação (com a sombra do prazo de 15 de junho nos observando), o home office ferveu. Mas confesso que também houve respiros. Nesses dias, as pausas para o café foram fundamentais para reorganizar as ideias e não enlouquecer com a revisão bibliográfica.

2. PBL 6: Muito Além das Telas

Aprofundando as reflexões do PBL 6, e ainda embalada pelas leituras do nosso estudo dirigido, fica ainda mais claro o convite para fugirmos do óbvio. É muito fácil cair na armadilha de culpar os dispositivos digitais pela distração geral, como se fossem vilões. Mas a chave está em não os enxergarmos como meras "ferramentas" neutras ou utilitárias, e sim como verdadeiros artefatos culturais.

Quando pensamos no letramento digital, o impacto não está no aparelho em si, mas na intencionalidade que aplicamos a ele, afinal, como vimos em Vieira Pinto, a tecnologia é síntese de relações sociais. Um dispositivo pode afastar, sim, mas também pode ser a ponte para narrativas incríveis e jornadas gamificadas ou imersivas. O desafio da educação hoje não é lutar contra o artefato, mas apropriar-se dele com propósito, construindo uma ecologia cognitiva real.

3. O Enigma: As Forjas Ocultas de um Condado Distante 

E agora, convoco os sábios e guardiões da turma para um pequeno mistério. Em minhas andanças pelas páginas de nossos colegas, encontrei um relato digno dos arquivos de Valfenda.

O autor desse pergaminho nos convida a desviar o olhar das fábricas barulhentas de Isengard e dos palantíri (as telas que tudo veem). Ele nos apresenta uma "Sociedade" muito peculiar. Essa comitiva não foi formada em grandes castelos, mas nasceu nas calçadas de uma via, num "Condado" um tanto quanto periférico. Há duas dúzias de ciclos solares eles marcham juntos. Não se preparam para a Guerra do Anel, mas começam a afiar seus passos e táticas muito antes de o outono chegar, pensando em uma grande celebração.

O autor narra que, em uma de suas maiores batalhas nas terras do norte, a multidão já os aclamava como reis antes mesmo que a música da vitória cessasse. Para esse colega, a magia, a estética e o suor dessa companhia provam que a verdadeira forja não é feita apenas de códigos e algoritmos, mas de intenção, pertencimento e trabalho humano.

De quem é o diário que li? E que "Sociedade" é essa que prova que a cultura coletiva também é uma poderosa magia?



Transcrição de Entrevistas: A Inteligência Artificial como Meio, não como Fim

 Fala, aventureiros da pesquisa!


Hoje quero partilhar uma novidade com vocês: o nosso grupo de pesquisa Comunidades Virtuais Ufal iniciou um movimento muito importante de investigações aos núcleos da RIEH. Já realizámos a visita ao Núcleo de Maceió e, agora, visitamos o núcleo de Arapiraca. Foi justamente a partir das escutas e entrevistas realizadas por lá que vivenciei uma etapa fundamental e rica do meu processo de aprendizagem na pesquisa: a transcrição e o tratamento de dados.

Como eu ainda não tinha vivenciado essa etapa com tanta profundidade, decidi socializar com vocês o processo e a minha percepção crítica como pesquisadora. O grande detalhe de toda essa experiência é que utilizei a inteligência artificial estritamente como um meio, e não como um fim.

Tudo começou no meu próprio smartphone, utilizando o gravador nativo que já faz uma breve transcrição automática enquanto o áudio é captado. Com essa matéria-prima inicial em mãos, passei para a etapa seguinte utilizando o Gemini como um artefato de apoio para o tratamento inicial dos dados. Foi o momento de testar comandos, organizar o texto e dar uma primeira limpeza nas informações. No entanto, a minha validação não parou por aí. Foi exatamente a partir desse retorno inicial da inteligência artificial que o trabalho mais minucioso começou, pois não assumi o texto gerado como o produto final da minha análise.

Iniciei, então, um processo rigoroso de verificação humana. Voltei ao áudio original e fiz uma escuta atenta, acompanhando a leitura da transcrição simultaneamente. Fui confrontando o texto para ver se os comandos que eu havia dado tinham funcionado de forma correta, conferindo o que era de fato verídico e o que estava errado. Durante esse movimento, fui lapidando o material: corrigindo equívocos, modificando o que precisava ser melhorado e adicionando todas as palavras e falas que faltavam para garantir a fidelidade do discurso e captar a verdadeira mensagem central dos entrevistados de Arapiraca.

Fazer esse tratamento de dados manualmente, trabalhando em cima do que o artefato me entregou, foi uma experiência riquíssima. O mais interessante é que todo esse processo de ir e vir acabou por trazer muitas "luzes" para a minha pesquisa. Este mergulho demorado e atento nas entrelinhas fez-me observar com muito mais clareza e profundidade a questão da perspectiva de formação e tudo o que a permeia. Consegui perceber nuances e detalhes que uma escuta superficial, ou a aceitação "cega" de uma transcrição automática, jamais me permitiriam enxergar.

Fica o grande aprendizado desta etapa: a tecnologia é um excelente meio para nos ajudar a caminhar e otimizar o processo, mas a orquestra da pesquisa, a sensibilidade da análise e o refinamento dos dados continuam a ser um trabalho essencialmente humano.







quarta-feira, 15 de abril de 2026

Diário de uma doutoranda - Aprender é adaptar ou transformar o Mundo?

 Fala, aventureiros da pesquisa!


Hoje o dia começou daquele jeito por aqui: café forte na xícara, o Apolo já exigindo sua caminhada matinal, e a mente fervilhando após as leituras da nossa disciplina. Sabe aquele momento em que a teoria te dá uma rasteira e exige uma reconfiguração de tudo o que você achava que sabia sobre educação? Foi exatamente o que aconteceu ao mergulhar nos textos do estudo Dirigido. 

A primeira provocação do estudo dirigido era observar como Vieira Pinto desmonta a ideia da tecnologia neutra e universal. Ele nos alerta que a tecnologia é, antes de tudo, a síntese de relações sociais concretas; ela carrega a intencionalidade e o projeto histórico de quem a produziu.

Para pesquisadores de países periféricos, isso é um "soco no estômago". Quando recebem pacotes tecnológicos "fechados" e os utilizam de forma acrítica, correm o risco da "domesticação do futuro", reproduzindo uma consciência ingênua e estruturas de dominação. A consciência crítica só desperta quando compreendemos que a técnica é trabalho humano acumulado. A tecnologia não possui vida própria; ela é o prolongamento material do trabalhador.

Aí veio o pulo do gato da atividade: tensionar essa base materialista com Pierre Lévy. Onde eles convergem? Ambos rejeitam a técnica neutra. Lévy argumenta de forma brilhante que os artefatos criam uma "ecologia cognitiva", reorganizando profundamente como pensamos e como formamos coletivos pensantes.

Mas a divergência que encontrei para o meu texto é clara. Enquanto Lévy traz um tom mais entusiasmado sobre a fluidez da informação e as potencialidades emancipatórias do ciberespaço, Vieira Pinto me puxou pela gola de volta para a realidade bruta. Ele foca no chão material: dominar a técnica é uma questão de soberania contra a exploração. Para Vieira Pinto, não basta estarmos imersos na ecologia cognitiva (como diria Lévy); é preciso saber a serviço de qual projeto de sociedade e de classe essa conexão opera.

Para encaminhar a conclusão do meu texto, mergulhei no Capítulo XIV (a partir da p. 601), focado na aprendizagem. Aqui, Vieira Pinto ataca frontalmente a definição cibernética e behaviorista de que aprender é "melhorar a adaptação" ao meio.

Para ele, aceitar essa tese é um erro terrível, pois educar para adaptar-se é educar para manter o status quo, é exigir do aprendiz uma acomodação silenciosa. A verdadeira aprendizagem é um ato revolucionário e mediado pelo trabalho: "aprendizagem não significa (...) melhor adaptação ao meio mas, ao contrário, invenção de novas condições de existência... Não se adapta, adapta o mundo a si."

Ele aproveita para destruir a ilusão do "autômato aprendiz". Nossos computadores e artefatos operam por ligações elétricas, processam dados, mas não "aprendem" no sentido existencial. O salto qualitativo da aprendizagem humana reside na produção social. O artefato não transforma a própria existência para se humanizar; quem toma consciência e se transforma ativamente pelo trabalho somos nós.

E a minha tese com isso?

Quando pesquisamos Educação Híbrida ou os Núcleos de inovação, o objetivo jamais pode ser usar o digital apenas para engajar e fazer o aluno "se adaptar" mais rápido ao mercado. Se a aprendizagem é transformar a relação com o mundo, os artefatos que investigamos precisam ser meios para a leitura autoral e intervenção crítica. Como sentenciou Vieira Pinto: a aprendizagem consiste em "adaptar-se para mudar e não para conservar". Não somos meros usuários ou autômatos; somos produtores históricos do nosso próprio futuro.

sábado, 11 de abril de 2026

Aprendizagem Móvel: O Papel dos Artefatos Digitais na Cibercultura

 Olá, aventureiros! 

O post de hoje tem um sabor especial de superação e letramento digital na prática. Compartilho com vocês um grande marco: a minha primeiríssima experiência roteirizando, gravando e editando um vídeo para o YouTube! Para realizar essa etapa da minha pesquisa, fui até o Núcleo de Inovação para a Educação Híbrida da UFAL. Gravar no estúdio do núcleo e vivenciar o processo de edição foi fundamental para compreender, na prática, os desafios e as potencialidades da produção de conteúdo na cibercultura.

No vídeo, apresento as discussões do nosso recente problema da disciplina do doutorado. Faço um mergulho teórico sobre a Aprendizagem Móvel (m-learning) e como o uso de artefatos digitais, como smartphones e tablets, está reconfigurando o processo de ensino e aprendizagem.

A reflexão central é a necessidade urgente de superarmos a visão puramente instrumental da tecnologia. Discutimos como construir uma arquitetura pedagógica que abandone a passividade do modelo tradicional e promova a verdadeira interatividade, a coautoria e participação ativa dos estudantes.

Convido todos a assistirem e deixarem suas impressões nos comentários!

Assista ao vídeo completo aqui: https://youtu.be/kaAieoOEXF0



Referências:

BERNARDO, J. C. O; KARWOSKI, A. M. A leitura em dispositivos digitais móveis. ETD, Campinas, v. 19, n. 4, p. 795-807, dez. 2017.

DUSI, L. L.; PEDROSA, S. M. P. A; SANTOS, S. R. M. Tecnologias digitais e aprendizagem docente: histórias em função de um saber específico. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 33, n. 74, p. 119–132, 2024.

SANTOS, E.; PORTO, C. App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. EDUFBA, Salvador, 2019.

SANTOS, S. L.; STAHL, N. S. P; DA SILVA, M. A. G. T.; SARDINHA, L. C. Dispositivos móveis: um facilitador no processo ensino-aprendizagem. Revista Vértices, [S. l.], v. 18, n. 2, p. 121–139, 2016.

SONEGO, A. H. S; BEHAR, P. A. M-learning: o uso de dispositivos móveis por uma geração conectada. Educação. Porto Alegre, v. 42, n. 3, p. 514-524, set. 2019.

WANG, C.; CHEN, X.; YU, T.; LIU, Y.; JING, Y. Education reform and change driven by digital technology: a bibliometric study from a global perspective. Humanities and Social Sciences Communications, [S.l.], v. 11, 2024.











terça-feira, 7 de abril de 2026

Diário de uma doutoranda - Conexões Humanas, Tecnologias Digitais e Aprendizagem Móvel

 

A aula da tarde de ontem no doutorado provou que a pesquisa e o aprendizado são, acima de tudo, processos construídos de forma coletiva. Começamos nosso encontro com um acolhimento especial e humano, que deu o tom perfeito para as reflexões teóricas profundas que vieram a seguir.

1. Partilha, Acolhimento e Clima de Páscoa

Iniciamos a nossa tarde vivenciando um espaço de profunda reflexão e partilha. Em alusão à Páscoa, trocamos doces e chocolates, mas o que realmente compartilhamos foi afeto.

Esse momento inicial foi muito importante. Ele possibilitou uma interação ainda mais rica entre os colegas, criando um ambiente seguro para dividirmos nossas tensões, metas e alegrias. Na rotina muitas vezes solitária de um doutorado, parar para conhecer um pouco mais do outro nos lembra que a jornada acadêmica exige empatia e apoio mútuo.

2. Conclusão do Problema 5: Para Além da Visão Instrumentalista

Fortalecidos por essa troca, seguimos para a conclusão da segunda etapa do Problema 5, com um debate necessário sobre a incorporação crítica das tecnologias digitais nas práticas pedagógicas. O grande desafio proposto foi romper com a visão puramente instrumentalista, aquela que enxerga a tecnologia apenas como um artefato neutro e refletir de forma pragmática sobre o que, de fato, precisa e pode ser transformado na educação.

Nossa discussão evidenciou que a superação dessa visão perpassa três pilares estruturais:

  • Políticas Públicas: Como as diretrizes governamentais e institucionais precisam dar suporte real a essa transição.

  • Práticas Pedagógicas: A urgência de ressignificar o fazer docente para além do uso superficial dos artefatos.

  • Formação Continuada: O papel essencial de preparar os professores para uma apropriação crítica e autônoma do meio digital.

3. Início do Problema 6: Horizontes da Aprendizagem Móvel

Por fim, demos o pontapé inicial na segunda etapa do nosso cronograma, adentrando o Problema 6, que foca na aprendizagem com dispositivos móveis. Começamos a tensionar o que realmente pode modificar as práticas educacionais atuais.

O que de fato deve ser modificado e incorporado para possibilitar a aprendizagem com dispositivos móveis? É uma questão que se resolve apenas dentro da sala de aula com os alunos, ou é algo que depende intrinsecamente de políticas públicas mais amplas?

domingo, 5 de abril de 2026

Diário de uma doutoranda - O Artefato de Mim Mesma: Quem eu era e quem eu sou a partir das descobertas investigativas (autoavaliação)

 

Olá, aventureiros!


Vivenciar esta disciplina como doutoranda, fez-me mudar toda a rota e refletir com profundidade sobre minhas bases teóricas e epistemológicas, bem como sobre a profissional que sou e a que desejo ser.

A disciplina está me fazendo refletir sobre as bases teóricas e epistemológicas que precisamos levar em consideração na pesquisa. Sem elas, não há base estrutural para as nossas práticas pedagógicas e investigativas.

Sobre a dinâmica do PBL, confesso que na primeira aula fiquei assustada, mas muito interessada. Tenho gostado bastante da experiência, pois ela tem me tirado da zona de conforto e me feito olhar para o todo. Além disso, tenho buscado problematizar e internalizar o que estou aprendendo para sair de uma visão puramente instrumentalista e consumidora.

Outro ponto que tem enriquecido muito esse processo são as metáforas que o professor utiliza para conectar as teorias e os textos aos problemas da vida real. Esse recurso tem sido fantástico para tirar os conceitos do plano abstrato, permitindo-me enxergar exemplos concretos e aprofundar minhas reflexões. O mais engraçado é que confesso já ter sido "contagiada" por essa didática! Fui tão afetada por isso que, de repente, dou por mim mesma criando as minhas próprias metáforas para explicar o uso de artefatos na educação ou sobre outros assuntos. É como se a sala de aula fosse a minha própria aula de poções, onde misturo teoria, prática e realidade acho que o feitiço pegou de vez na pesquisadora aqui!

Em relação ao portfólio, ele tem sido um artefato de metacognição que me possibilita refletir sobre as tensões, alegrias, medos e aprendizagens ao longo deste início de primeiro semestre do doutorado. Tenho visto esse artefato como uma forma de avaliar a minha prática docente: pensar sobre a profissional que um dia pensei ser, a profissional que sou hoje e a que quero me tornar a partir dessas reflexões. 

Acredito que, ao olhar para essa jornada, reconheço o que ainda preciso aprimorar: a minha imersão e o meu rigor nesse vasto universo investigativo. Meu objetivo agora é refinar o meu olhar de pesquisadora, fortalecendo a ponte entre as bases teóricas e a minha atuação docente. Preciso desenvolver a segurança para lidar com a complexidade da pesquisa em educação, garantindo que o uso de novos artefatos e metodologias não se perca no vazio, mas se transforme em uma investigação consistente e com real impacto social.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Diário de uma doutoranda - Castelos de Cartas e a Realidade Digital: Reflexões e Veredito do Problema 5



Olá aventureiros,

Na nossa última aula, vivenciamos uma dinâmica muito instigante: a brincadeira de tentar montar um castelo com um baralho de cartas. Muito além de um desafio de coordenação, essa metáfora nos trouxe uma reflexão profunda. Assim como um castelo de cartas precisa de muito equilíbrio e de uma base firme para não desmoronar ao menor sopro, nossas práticas pedagógicas também exigem estratégias de aprendizagem sólidas e bases epistemológicas e teóricas muito bem consolidadas para guiar nossas ações. Se tentarmos inovar sem essa fundação estrutural, nosso planejamento cai por terra na primeira dificuldade.

Foi exatamente embalada por essa inquietação que, no segundo momento do nosso encontro, fomos provocados a encarar o Problema 5 - Tecnologias Digitais no Ensino: possibilidades e limites.

A missão era olhar para o retrovisor da educação brasileira e mapear a inserção de diferentes artefatos ao longo das décadas, analisando seus pontos positivos e negativos para, então, formularmos um posicionamento crítico sobre o que realmente precisa mudar no cenário atual.

Para organizar essa viagem no tempo, construí uma Linha do Tempo Argumentativa interativa. Convido vocês a explorarem os marcos históricos acessando o meu mural:

https://padlet.com/deboraleticia2/linha-do-tempo-argumentativa-possibilidades-e-limites-da-tec-eoj8zrqynnpv39es

Após analisar desde a chegada do rádio na década de 1920 até o tsunami da Inteligência Artificial nos dias de hoje, trago aqui o meu posicionamento fundamentado sobre o tema.

A análise histórica da inserção tecnológica na educação brasileira, desde o rádio até o ensino remoto na pandemia, revela um padrão cíclico: a crença salvacionista de que a introdução de novos artefatos, por si só, modernizaria o ensino e democratizaria a educação. Para que as tecnologias digitais contribuam de fato para a aprendizagem, o cenário demanda uma ruptura epistemológica com essa visão puramente instrumental.

Nas políticas educacionais, a superação da lógica focada apenas na entrega de equipamentos e na criação de laboratórios isolados apresenta-se como um passo fundamental. A infraestrutura e a conectividade de qualidade ganham efetividade quando atreladas a projetos pedagógicos claros, que considerem a tecnologia como mediadora da interação e da construção conjunta do conhecimento. Essa articulação evita o que Bonilla e Oliveira (2011) denunciam como uma "inclusão digital ambígua", caracterizada pelo fornecimento da máquina sem a garantia das condições estruturais e formativas para a autoria cidadã e apropriação real.

Na formação docente e nas práticas pedagógicas, a mudança metodológica desponta como o fator central. A formação vai além do treinamento operacional dos artefatos, exigindo tempo e espaço para investigar como eles reconfiguram as formas de ler, escrever, compreender e interagir com o mundo. Como apontam Valente e Almeida (2022) ao analisar o legado da pandemia, a simples transposição de aulas expositivas para as telas mostrou-se insuficiente para garantir a aprendizagem. O potencial educativo se concretiza quando as práticas pedagógicas abandonam o uso dos artefatos digitais como meros "entregadores de conteúdo" (visão transmissiva e instrucionista) e passam a utilizá-los como artefatos de mediação pedagógica (Coll, Mauri, Onrubia, 2010). Essa abordagem fomenta a interação, a colaboração e a construção ativa do conhecimento, posicionando o estudante como produtor de cultura e não apenas como consumidor de informação.

Referências

  • BONILLA, Maria Helena Silveira; OLIVEIRA, Paulo César S. Inclusão digital: ambiguidades em curso. In: BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 15-36.

  • COLL, César; MAURI, Teresa; ONRUBIA, Javier. A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL, César; MONEREO, Carles (org.). Psicologia da Educação Virtual. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 66–93.

  • GAY, Kristen; MUSCANELL, Nicole. 2026 EDUCAUSE Students and Technology Report: steady amid change. [S. l.]: EDUCAUSE, 2026.

  • LIVINGSTONE, Vera; STRICKER, Jan K. The disappearance of an unclear question. [S. l.]: UNESCO, 2024.

  • MORAN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação & Educação, São Paulo, v. 2, p. 27-35, 1995.

  • PAPERT, Seymour. Logo: computadores e educação. São Paulo: Brasiliense, 1985.

  • PEDRÓ, Francesc. Applications of Artificial Intelligence to higher education: possibilities, evidence, and challenges. IUL Research, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 61–76, 2020.

  • ROQUETTE-PINTO, Edgard. Seixos Rolados: estudos brasileiros. Rio de Janeiro: Mendonça, Machado & Cia, 1927.

  • VALENTE, José Armando. O Computador na Sociedade do Conhecimento. Campinas: Unicamp/NIED, 1999.

  • VALENTE, José Armando; ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini. Tecnologias e educação: legado das experiências da pandemia COVID-19 para o futuro da escola. Panorama Setorial da Internet, São Paulo, ano 14, n. 2, jun. 2022.