Entre as telas e a tese

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Diário de uma doutoranda - Aprender é adaptar ou transformar o Mundo?

 Fala, aventureiros da pesquisa!


Hoje o dia começou daquele jeito por aqui: café forte na xícara, o Apolo já exigindo sua caminhada matinal, e a mente fervilhando após as leituras da nossa disciplina. Sabe aquele momento em que a teoria te dá uma rasteira e exige uma reconfiguração de tudo o que você achava que sabia sobre educação? Foi exatamente o que aconteceu ao mergulhar nos textos do estudo Dirigido. 

A primeira provocação do estudo dirigido era observar como Vieira Pinto desmonta a ideia da tecnologia neutra e universal. Ele nos alerta que a tecnologia é, antes de tudo, a síntese de relações sociais concretas; ela carrega a intencionalidade e o projeto histórico de quem a produziu.

Para pesquisadores de países periféricos, isso é um "soco no estômago". Quando recebem pacotes tecnológicos "fechados" e os utilizam de forma acrítica, correm o risco da "domesticação do futuro", reproduzindo uma consciência ingênua e estruturas de dominação. A consciência crítica só desperta quando compreendemos que a técnica é trabalho humano acumulado. A tecnologia não possui vida própria; ela é o prolongamento material do trabalhador.

Aí veio o pulo do gato da atividade: tensionar essa base materialista com Pierre Lévy. Onde eles convergem? Ambos rejeitam a técnica neutra. Lévy argumenta de forma brilhante que os artefatos criam uma "ecologia cognitiva", reorganizando profundamente como pensamos e como formamos coletivos pensantes.

Mas a divergência que encontrei para o meu texto é clara. Enquanto Lévy traz um tom mais entusiasmado sobre a fluidez da informação e as potencialidades emancipatórias do ciberespaço, Vieira Pinto me puxou pela gola de volta para a realidade bruta. Ele foca no chão material: dominar a técnica é uma questão de soberania contra a exploração. Para Vieira Pinto, não basta estarmos imersos na ecologia cognitiva (como diria Lévy); é preciso saber a serviço de qual projeto de sociedade e de classe essa conexão opera.

Para encaminhar a conclusão do meu texto, mergulhei no Capítulo XIV (a partir da p. 601), focado na aprendizagem. Aqui, Vieira Pinto ataca frontalmente a definição cibernética e behaviorista de que aprender é "melhorar a adaptação" ao meio.

Para ele, aceitar essa tese é um erro terrível, pois educar para adaptar-se é educar para manter o status quo, é exigir do aprendiz uma acomodação silenciosa. A verdadeira aprendizagem é um ato revolucionário e mediado pelo trabalho: "aprendizagem não significa (...) melhor adaptação ao meio mas, ao contrário, invenção de novas condições de existência... Não se adapta, adapta o mundo a si."

Ele aproveita para destruir a ilusão do "autômato aprendiz". Nossos computadores e artefatos operam por ligações elétricas, processam dados, mas não "aprendem" no sentido existencial. O salto qualitativo da aprendizagem humana reside na produção social. O artefato não transforma a própria existência para se humanizar; quem toma consciência e se transforma ativamente pelo trabalho somos nós.

E a minha tese com isso?

Quando pesquisamos Educação Híbrida ou os Núcleos de inovação, o objetivo jamais pode ser usar o digital apenas para engajar e fazer o aluno "se adaptar" mais rápido ao mercado. Se a aprendizagem é transformar a relação com o mundo, os artefatos que investigamos precisam ser meios para a leitura autoral e intervenção crítica. Como sentenciou Vieira Pinto: a aprendizagem consiste em "adaptar-se para mudar e não para conservar". Não somos meros usuários ou autômatos; somos produtores históricos do nosso próprio futuro.

sábado, 11 de abril de 2026

Aprendizagem Móvel: O Papel dos Artefatos Digitais na Cibercultura

 Olá, aventureiros! 

O post de hoje tem um sabor especial de superação e letramento digital na prática. Compartilho com vocês um grande marco: a minha primeiríssima experiência roteirizando, gravando e editando um vídeo para o YouTube! Para realizar essa etapa da minha pesquisa, fui até o Núcleo de Inovação para a Educação Híbrida da UFAL. Gravar no estúdio do núcleo e vivenciar o processo de edição foi fundamental para compreender, na prática, os desafios e as potencialidades da produção de conteúdo na cibercultura.

No vídeo, apresento as discussões do nosso recente problema da disciplina do doutorado. Faço um mergulho teórico sobre a Aprendizagem Móvel (m-learning) e como o uso de artefatos digitais, como smartphones e tablets, está reconfigurando o processo de ensino e aprendizagem.

A reflexão central é a necessidade urgente de superarmos a visão puramente instrumental da tecnologia. Discutimos como construir uma arquitetura pedagógica que abandone a passividade do modelo tradicional e promova a verdadeira interatividade, a coautoria e participação ativa dos estudantes.

Convido todos a assistirem e deixarem suas impressões nos comentários!

Assista ao vídeo completo aqui: https://youtu.be/kaAieoOEXF0



Referências:

BERNARDO, J. C. O; KARWOSKI, A. M. A leitura em dispositivos digitais móveis. ETD, Campinas, v. 19, n. 4, p. 795-807, dez. 2017.

DUSI, L. L.; PEDROSA, S. M. P. A; SANTOS, S. R. M. Tecnologias digitais e aprendizagem docente: histórias em função de um saber específico. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 33, n. 74, p. 119–132, 2024.

SANTOS, E.; PORTO, C. App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. EDUFBA, Salvador, 2019.

SANTOS, S. L.; STAHL, N. S. P; DA SILVA, M. A. G. T.; SARDINHA, L. C. Dispositivos móveis: um facilitador no processo ensino-aprendizagem. Revista Vértices, [S. l.], v. 18, n. 2, p. 121–139, 2016.

SONEGO, A. H. S; BEHAR, P. A. M-learning: o uso de dispositivos móveis por uma geração conectada. Educação. Porto Alegre, v. 42, n. 3, p. 514-524, set. 2019.

WANG, C.; CHEN, X.; YU, T.; LIU, Y.; JING, Y. Education reform and change driven by digital technology: a bibliometric study from a global perspective. Humanities and Social Sciences Communications, [S.l.], v. 11, 2024.











terça-feira, 7 de abril de 2026

Diário de uma doutoranda - Conexões Humanas, Tecnologias Digitais e Aprendizagem Móvel

 

A aula da tarde de ontem no doutorado provou que a pesquisa e o aprendizado são, acima de tudo, processos construídos de forma coletiva. Começamos nosso encontro com um acolhimento especial e humano, que deu o tom perfeito para as reflexões teóricas profundas que vieram a seguir.

1. Partilha, Acolhimento e Clima de Páscoa

Iniciamos a nossa tarde vivenciando um espaço de profunda reflexão e partilha. Em alusão à Páscoa, trocamos doces e chocolates, mas o que realmente compartilhamos foi afeto.

Esse momento inicial foi muito importante. Ele possibilitou uma interação ainda mais rica entre os colegas, criando um ambiente seguro para dividirmos nossas tensões, metas e alegrias. Na rotina muitas vezes solitária de um doutorado, parar para conhecer um pouco mais do outro nos lembra que a jornada acadêmica exige empatia e apoio mútuo.

2. Conclusão do Problema 5: Para Além da Visão Instrumentalista

Fortalecidos por essa troca, seguimos para a conclusão da segunda etapa do Problema 5, com um debate necessário sobre a incorporação crítica das tecnologias digitais nas práticas pedagógicas. O grande desafio proposto foi romper com a visão puramente instrumentalista, aquela que enxerga a tecnologia apenas como um artefato neutro e refletir de forma pragmática sobre o que, de fato, precisa e pode ser transformado na educação.

Nossa discussão evidenciou que a superação dessa visão perpassa três pilares estruturais:

  • Políticas Públicas: Como as diretrizes governamentais e institucionais precisam dar suporte real a essa transição.

  • Práticas Pedagógicas: A urgência de ressignificar o fazer docente para além do uso superficial dos artefatos.

  • Formação Continuada: O papel essencial de preparar os professores para uma apropriação crítica e autônoma do meio digital.

3. Início do Problema 6: Horizontes da Aprendizagem Móvel

Por fim, demos o pontapé inicial na segunda etapa do nosso cronograma, adentrando o Problema 6, que foca na aprendizagem com dispositivos móveis. Começamos a tensionar o que realmente pode modificar as práticas educacionais atuais.

O que de fato deve ser modificado e incorporado para possibilitar a aprendizagem com dispositivos móveis? É uma questão que se resolve apenas dentro da sala de aula com os alunos, ou é algo que depende intrinsecamente de políticas públicas mais amplas?

domingo, 5 de abril de 2026

Diário de uma doutoranda - O Artefato de Mim Mesma: Quem eu era e quem eu sou a partir das descobertas investigativas (autoavaliação)

 

Olá, aventureiros!


Vivenciar esta disciplina como doutoranda, fez-me mudar toda a rota e refletir com profundidade sobre minhas bases teóricas e epistemológicas, bem como sobre a profissional que sou e a que desejo ser.

A disciplina está me fazendo refletir sobre as bases teóricas e epistemológicas que precisamos levar em consideração na pesquisa. Sem elas, não há base estrutural para as nossas práticas pedagógicas e investigativas.

Sobre a dinâmica do PBL, confesso que na primeira aula fiquei assustada, mas muito interessada. Tenho gostado bastante da experiência, pois ela tem me tirado da zona de conforto e me feito olhar para o todo. Além disso, tenho buscado problematizar e internalizar o que estou aprendendo para sair de uma visão puramente instrumentalista e consumidora.

Outro ponto que tem enriquecido muito esse processo são as metáforas que o professor utiliza para conectar as teorias e os textos aos problemas da vida real. Esse recurso tem sido fantástico para tirar os conceitos do plano abstrato, permitindo-me enxergar exemplos concretos e aprofundar minhas reflexões. O mais engraçado é que confesso já ter sido "contagiada" por essa didática! Fui tão afetada por isso que, de repente, dou por mim mesma criando as minhas próprias metáforas para explicar o uso de artefatos na educação ou sobre outros assuntos. É como se a sala de aula fosse a minha própria aula de poções, onde misturo teoria, prática e realidade acho que o feitiço pegou de vez na pesquisadora aqui!

Em relação ao portfólio, ele tem sido um artefato de metacognição que me possibilita refletir sobre as tensões, alegrias, medos e aprendizagens ao longo deste início de primeiro semestre do doutorado. Tenho visto esse artefato como uma forma de avaliar a minha prática docente: pensar sobre a profissional que um dia pensei ser, a profissional que sou hoje e a que quero me tornar a partir dessas reflexões. 

Acredito que, ao olhar para essa jornada, reconheço o que ainda preciso aprimorar: a minha imersão e o meu rigor nesse vasto universo investigativo. Meu objetivo agora é refinar o meu olhar de pesquisadora, fortalecendo a ponte entre as bases teóricas e a minha atuação docente. Preciso desenvolver a segurança para lidar com a complexidade da pesquisa em educação, garantindo que o uso de novos artefatos e metodologias não se perca no vazio, mas se transforme em uma investigação consistente e com real impacto social.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Diário de uma doutoranda - Castelos de Cartas e a Realidade Digital: Reflexões e Veredito do Problema 5



Olá aventureiros,

Na nossa última aula, vivenciamos uma dinâmica muito instigante: a brincadeira de tentar montar um castelo com um baralho de cartas. Muito além de um desafio de coordenação, essa metáfora nos trouxe uma reflexão profunda. Assim como um castelo de cartas precisa de muito equilíbrio e de uma base firme para não desmoronar ao menor sopro, nossas práticas pedagógicas também exigem estratégias de aprendizagem sólidas e bases epistemológicas e teóricas muito bem consolidadas para guiar nossas ações. Se tentarmos inovar sem essa fundação estrutural, nosso planejamento cai por terra na primeira dificuldade.

Foi exatamente embalada por essa inquietação que, no segundo momento do nosso encontro, fomos provocados a encarar o Problema 5 - Tecnologias Digitais no Ensino: possibilidades e limites.

A missão era olhar para o retrovisor da educação brasileira e mapear a inserção de diferentes artefatos ao longo das décadas, analisando seus pontos positivos e negativos para, então, formularmos um posicionamento crítico sobre o que realmente precisa mudar no cenário atual.

Para organizar essa viagem no tempo, construí uma Linha do Tempo Argumentativa interativa. Convido vocês a explorarem os marcos históricos acessando o meu mural:

https://padlet.com/deboraleticia2/linha-do-tempo-argumentativa-possibilidades-e-limites-da-tec-eoj8zrqynnpv39es

Após analisar desde a chegada do rádio na década de 1920 até o tsunami da Inteligência Artificial nos dias de hoje, trago aqui o meu posicionamento fundamentado sobre o tema.

A análise histórica da inserção tecnológica na educação brasileira, desde o rádio até o ensino remoto na pandemia, revela um padrão cíclico: a crença salvacionista de que a introdução de novos artefatos, por si só, modernizaria o ensino e democratizaria a educação. Para que as tecnologias digitais contribuam de fato para a aprendizagem, o cenário demanda uma ruptura epistemológica com essa visão puramente instrumental.

Nas políticas educacionais, a superação da lógica focada apenas na entrega de equipamentos e na criação de laboratórios isolados apresenta-se como um passo fundamental. A infraestrutura e a conectividade de qualidade ganham efetividade quando atreladas a projetos pedagógicos claros, que considerem a tecnologia como mediadora da interação e da construção conjunta do conhecimento. Essa articulação evita o que Bonilla e Oliveira (2011) denunciam como uma "inclusão digital ambígua", caracterizada pelo fornecimento da máquina sem a garantia das condições estruturais e formativas para a autoria cidadã e apropriação real.

Na formação docente e nas práticas pedagógicas, a mudança metodológica desponta como o fator central. A formação vai além do treinamento operacional dos artefatos, exigindo tempo e espaço para investigar como eles reconfiguram as formas de ler, escrever, compreender e interagir com o mundo. Como apontam Valente e Almeida (2022) ao analisar o legado da pandemia, a simples transposição de aulas expositivas para as telas mostrou-se insuficiente para garantir a aprendizagem. O potencial educativo se concretiza quando as práticas pedagógicas abandonam o uso dos artefatos digitais como meros "entregadores de conteúdo" (visão transmissiva e instrucionista) e passam a utilizá-los como artefatos de mediação pedagógica (Coll, Mauri, Onrubia, 2010). Essa abordagem fomenta a interação, a colaboração e a construção ativa do conhecimento, posicionando o estudante como produtor de cultura e não apenas como consumidor de informação.

Referências

  • BONILLA, Maria Helena Silveira; OLIVEIRA, Paulo César S. Inclusão digital: ambiguidades em curso. In: BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 15-36.

  • COLL, César; MAURI, Teresa; ONRUBIA, Javier. A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL, César; MONEREO, Carles (org.). Psicologia da Educação Virtual. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 66–93.

  • GAY, Kristen; MUSCANELL, Nicole. 2026 EDUCAUSE Students and Technology Report: steady amid change. [S. l.]: EDUCAUSE, 2026.

  • LIVINGSTONE, Vera; STRICKER, Jan K. The disappearance of an unclear question. [S. l.]: UNESCO, 2024.

  • MORAN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação & Educação, São Paulo, v. 2, p. 27-35, 1995.

  • PAPERT, Seymour. Logo: computadores e educação. São Paulo: Brasiliense, 1985.

  • PEDRÓ, Francesc. Applications of Artificial Intelligence to higher education: possibilities, evidence, and challenges. IUL Research, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 61–76, 2020.

  • ROQUETTE-PINTO, Edgard. Seixos Rolados: estudos brasileiros. Rio de Janeiro: Mendonça, Machado & Cia, 1927.

  • VALENTE, José Armando. O Computador na Sociedade do Conhecimento. Campinas: Unicamp/NIED, 1999.

  • VALENTE, José Armando; ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini. Tecnologias e educação: legado das experiências da pandemia COVID-19 para o futuro da escola. Panorama Setorial da Internet, São Paulo, ano 14, n. 2, jun. 2022.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Diário de uma doutoranda aventureira: explorando as potencialidades do Diagrama de Ishikawa para problematizar o uso instrumental das TD

 Olá, aventureiros!

Hoje vamos colocar o dedo na ferida de um problema muito comum nas nossas universidades: a implementação puramente instrumental das tecnologias digitais. Sabe aquela sensação de que a instituição comprou plataformas caríssimas, cheias de botões e gamificação, mas, no fundo, a sala de aula continua exatamente a mesma? Pois é. Não existe feitiço de transfiguração que mude a essência de uma prática pedagógica se a nossa mentalidade continuar presa ao século passado.

Para organizar essa reflexão, estruturei um Diagrama de Ishikawa (a famosa espinha de peixe) fundamentado nas teorias que fundamentam as tecnologias digitais no ensino. Vamos destrinchar as 6 causas que sustentam essa falsa inovação:



1. Docentes:

  • A armadilha do transmissor: Em vez de atuar como animadores da inteligência coletiva (Lévy), muitos docentes reproduzem a lógica da mídia de massa ("um-todos") no ambiente virtual. A aula expositiva apenas mudou de palco, mas o monólogo continua.
  • Lente Behaviorista: A tecnologia é adotada para automatizar a entrega de informação. A prática instrucionista é mascarada, ignorando o potencial da rede para a co-construção de saberes.

2. Estudantes: 

  • Fazer sem compreender: O aluno é condicionado a realizar tarefas mecânicas clicar, baixar, responder formulários  para obter um sucesso prematuro na plataforma, mas não reflete sobre os conceitos. O "saber fazer" não garante a compreensão profunda do processo cognitivo.
  • Isolamento Cognitivo: A comunicação ocorre apenas no nível da interatividade homem-máquina (interação reativa). Faltam as interações mútuas com os pares, que são as que realmente afetam reciprocamente os sujeitos e geram aprendizado.

3. Currículos e Metodologias: 

  • Linearidade limitante: Ignorando a fluidez do Conectivismo (Siemens), o currículo segue estruturado em pacotes estanques. É incapaz de formar ecologias de aprendizagem onde o estudante precisa conectar nós de conhecimento diversificados.
  • Mensagem Fechada: O material não é tratado como uma "obra aberta" (Pimentel & Carvalho). Faltam a curadoria colaborativa e o espaço para a autoria, prevalecendo os PDFs pré-fabricados e imutáveis.

4. Tecnologias e Infraestrutura: A caverna digital

  • O AVA como depósito: As plataformas sofrem com a cultura do confinamento e viram apenas repositórios glorificados de arquivos, subutilizando as diversas ambiências computacionais disponíveis na cibercultura.
  • Design Reativo: A infraestrutura valoriza o condicionamento do usuário com a interface gráfica (cliques, feedbacks automáticos), mas falha em prover arquiteturas que sustentem a troca dialógica e a verdadeira colaboração.

5. Gestão e Cultura: O Fordismo Educacional

  • Produção em Massa: A gestão tenta adotar a tecnologia baseada no paradigma do "empurrar" informação (produção em massa), desperdiçando o potencial humano. O ideal seria uma migração para um modelo educacional mais flexível e "enxuto", moldado pelas necessidades de quem aprende.
  • O Monopólio da Validação: Há uma resistência institucional brutal em reconhecer e validar as redes de saberes informais criadas pela inteligência coletiva, mantendo a validação presa exclusivamente aos moldes burocráticos.

6. Avaliação: 

  • Predominância de verificações somativas e testes automatizados : A avaliação atua como um rígido "controle de qualidade" focado na memorização behaviorista (DAKICH, 2014). Mede-se apenas o "fazer com sucesso" em exames padronizados, em vez de avaliar a verdadeira "compreensão" processual e crítica do estudante (Valente, 1999).  
  • Incompatibilidade entre mensuração linear e a aprendizagem complexa ("caótica"): Tenta-se medir a aprendizagem com métricas cartesianas de rotas únicas, ignorando que, sob a ótica do Conectivismo (Siemens, 2005) e da Teoria do Caos, o conhecimento contemporâneo emerge em redes dinâmicas, não lineares e imprevisíveis, exigindo a habilidade de auto-organização.


Bibliografia:

KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf.

SIEMENS, G. Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2005. Disponível em: https://auspace.athabascau.ca/bitstream/handle/2149/2867/Connectivism%20-%20Connecting%20with%20George%20Siemens.pdf.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. (Capítulos 4 e 6).

PIMENTEL, Fernando Silvio Cavalcante. Uma visão múltipla da interação em direção à tutoria. In: ______. Interação on-line: um desafio da tutoria. Maceió: Edufal, 2013. cap. 1, p. 23-49.

PIMENTEL, Mariano; CARVALHO, Felipe da Silva Ponte. Princípios da Educação Online: para sua aula não ficar massiva nem maçante! SBC Horizontes, 23 maio 2020. Disponível em: https://horizontes.sbc.org.br/index.php/2020/05/principios-educacao-online/.

LAURILLARD, D. Rethinking University Teaching: A Conversational Framework. Routledge, 2002. Disponível em: https://www.scribd.com/document/704783876/Conversational-Framework-of-Laurillard.

PUENTEDURA, R. SAMR: A Brief Introduction. 2010. Disponível em: https://www.scribd.com/document/891040863/Samr-Model-1.

DAKICH, Eva. Theoretical and Epistemological Foundations of Integrating Digital Technologies in Education. In: Reflections on the History of Computers in Education. Springer, 2014. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-642-55119-2_10.

VALENTE, José Armando. Mudanças na sociedade, mudanças na educação: o fazer e o compreender. In: O computador na sociedade do conhecimento. Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 1999.



terça-feira, 24 de março de 2026

Diário de uma doutoranda - caminhos e (des)caiminhos na sociedade da informação

 Olá, aventureiros!





Na aula de ontem (24/03/2026) da disciplina de Tecnologias Digitais no Ensino, do Doutorado em Ensino, ministrada pelo professor Fernando Pimentel, a dinâmica foi dividida em dois momentos. O primeiro consistiu na finalização do PBL sobre a informatização da sociedade e os novos paradigmas sociais na educação. Foi um momento de dialogarmos sobre nossas leituras e ponderações. Refletimos que há dois lados na dataficação da educação: se, por um lado, ela pode viabilizar uma maior eficiência nos processos educacionais, por outro, estabelece uma governança algorítmica de poder que tende a utilizar a informatização como mecanismo de controle e domínio, visando à lucratividade. Diante disso, destaco a necessidade de refletirmos sobre esses assuntos densos e complexos para analisarmos, em profundidade, as questões sociais, históricas e econômicas que permeiam as tecnologias na e para a  educação.

Na segunda parte da aula, iniciamos a discussão do PBL referente ao Problema 4: fundamentos teóricos das tecnologias digitais. O problema gira em torno da tentativa de implementar uma educação tecnológica e digital sem compreender de fato o que ela significa, quais teorias a englobam e qual perspectiva será adotada. Discutindo também a necessidade de diferenciar interação de interatividade, e de pensar em uma educação que vá além da visão instrumental. Para isso, é imprescindível compreender as raízes epistemológicas e teóricas que fundamentam essa concepção.

Para sintetizar as ideias, escolhemos utilizar o artefato Diagrama de Ishikawa. O objetivo é justamente encontrar as causas e subcausas do problema por meio de fatos e evidências, auxiliando os sujeitos a pensar, refletir e repensar as concepções que já conhecem e aquelas das quais precisam se apropriar melhor. Afinal, para defendermos nossa tese, é necessário argumentar com fatos e evidências, além de conhecer a ideia central em profundidade.




Diário de uma doutoranda - Aprender é adaptar ou transformar o Mundo?

 Fala, aventureiros da pesquisa! Hoje o dia começou daquele jeito por aqui: café forte na xícara, o Apolo já exigindo sua caminhada matinal,...