domingo, 26 de abril de 2026

Transcrição de Entrevistas: A Inteligência Artificial como Meio, não como Fim

 Fala, aventureiros da pesquisa!


Hoje quero partilhar uma novidade com vocês: o nosso grupo de pesquisa Comunidades Virtuais Ufal iniciou um movimento muito importante de investigações aos núcleos da RIEH. Já realizámos a visita ao Núcleo de Maceió e, agora, visitamos o núcleo de Arapiraca. Foi justamente a partir das escutas e entrevistas realizadas por lá que vivenciei uma etapa fundamental e rica do meu processo de aprendizagem na pesquisa: a transcrição e o tratamento de dados.

Como eu ainda não tinha vivenciado essa etapa com tanta profundidade, decidi socializar com vocês o processo e a minha percepção crítica como pesquisadora. O grande detalhe de toda essa experiência é que utilizei a inteligência artificial estritamente como um meio, e não como um fim.

Tudo começou no meu próprio smartphone, utilizando o gravador nativo que já faz uma breve transcrição automática enquanto o áudio é captado. Com essa matéria-prima inicial em mãos, passei para a etapa seguinte utilizando o Gemini como um artefato de apoio para o tratamento inicial dos dados. Foi o momento de testar comandos, organizar o texto e dar uma primeira limpeza nas informações. No entanto, a minha validação não parou por aí. Foi exatamente a partir desse retorno inicial da inteligência artificial que o trabalho mais minucioso começou, pois não assumi o texto gerado como o produto final da minha análise.

Iniciei, então, um processo rigoroso de verificação humana. Voltei ao áudio original e fiz uma escuta atenta, acompanhando a leitura da transcrição simultaneamente. Fui confrontando o texto para ver se os comandos que eu havia dado tinham funcionado de forma correta, conferindo o que era de fato verídico e o que estava errado. Durante esse movimento, fui lapidando o material: corrigindo equívocos, modificando o que precisava ser melhorado e adicionando todas as palavras e falas que faltavam para garantir a fidelidade do discurso e captar a verdadeira mensagem central dos entrevistados de Arapiraca.

Fazer esse tratamento de dados manualmente, trabalhando em cima do que o artefato me entregou, foi uma experiência riquíssima. O mais interessante é que todo esse processo de ir e vir acabou por trazer muitas "luzes" para a minha pesquisa. Este mergulho demorado e atento nas entrelinhas fez-me observar com muito mais clareza e profundidade a questão da perspectiva de formação e tudo o que a permeia. Consegui perceber nuances e detalhes que uma escuta superficial, ou a aceitação "cega" de uma transcrição automática, jamais me permitiriam enxergar.

Fica o grande aprendizado desta etapa: a tecnologia é um excelente meio para nos ajudar a caminhar e otimizar o processo, mas a orquestra da pesquisa, a sensibilidade da análise e o refinamento dos dados continuam a ser um trabalho essencialmente humano.







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