segunda-feira, 15 de junho de 2026

Querido diário...


​É engraçado parar para pensar em como as coisas mudam. Se alguém me dissesse, lá no começo do semestre, que eu estaria aqui escrevendo em um blog com o mesmo frio na barriga e a mesma entrega de quando eu era adolescente e me escondia para despejar meus segredos no papel, eu provavelmente não acreditaria. Mas a verdade é que o blog virou exatamente isso: o meu diário dessa jornada. No início, confesso, foi difícil. Parecia aquela obrigação, algo mecânico. Só que, sem que eu percebesse, ele foi se tornando parte de mim. Deixou de ser um "dever" e passou a ser o lugar onde minhas ideias ganham vida.

​Essa caminhada toda tem sido um verdadeiro processo de formiguinha, sabe? Tijolinho por tijolinho, semana após semana, fui construindo meu espaço, meu conhecimento e a minha própria voz. Aprendi que, para crescer de verdade, a gente precisa ter a coragem de sempre esvaziar o copo. É preciso se despir de certezas para dar espaço ao novo, para deixar o conhecimento entrar e transbordar. Carrego comigo essa lição pra vida: todas as aprendizagens que colhi aqui abriram a minha visão para o fato de que, apesar de nos encantarmos com novos conceitos, é preciso ter os pés firmes no chão. Precisamos dominar as teorias, conhecer os clássicos e ter propriedade absoluta sobre o que se fala. Afinal, é esse domínio que nos dá a força necessária para defender nossa tese e fincar nossa bandeira no mundo. Foi uma experiência linda, instigante, que revirou minhas estruturas. Não vou mentir dizendo que foi fácil, porque não foi, mas foi profundamente transformadora.

​Viver essa metodologia do PBL foi um marco. Que coisa bonita é ver todo mundo participando, dialogando, compartilhando dores e descobertas, trocando saberes de igual para igual. E o mais mágico disso tudo aconteceu quando eu vi a postagem de um amigo. Teve um dia, um momento difícil para ele, em que eu simplesmente lhe mandei uma música. Ver que ele guardou esse gesto e escolheu eternizá-lo ali, no blog dele, me tocou de um jeito que nenhuma curtida ou comentário de rede social jamais conseguiria. Ali eu entendi o verdadeiro poder transformador desse espaço quando a gente o habita com o coração, e não apenas de forma automática.

​Se eu tiver que balancear o que a disciplina acertou e o que ela despertou em mim, os acertos ganham de lavada. A escolha por essa metodologia ativa e a forma como fomos instigados a pensar criticamente foram os pontos altos. A atuação do professor foi muito boa e interessante de acompanhar. O mais incrível disso tudo é que esta já é a segunda disciplina que curso como aluna dele, que também é meu orientador. E sabe o que me fascina? Nunca é da mesma forma. Nunca é do mesmo jeito. Ele sempre traz algo diferente, algo que se modifica, se renova e nos transforma de maneiras inéditas. Essa capacidade que ele tem de nunca se repetir não foi apenas incrível para o meu percurso acadêmico, mas me instiga profundamente no meu próprio processo de construção sobre como eu quero ser como professora. Ele não foi aquele docente que dita regras lá da frente, mas alguém que mediou, que soube nos guiar pelas incertezas do PBL com uma sensibilidade incrível, nos provocando a crescer sem nos deixar desamparados.

​Claro que, olhando para trás, toda caminhada intensa tem seus pontos de fricção. Se eu pudesse sugerir algo para ser feito de forma diferente, talvez fosse um ajuste no tempo e no ritmo da entrega das produções. O PBL e as escritas no blog exigem de nós uma imersão muito profunda, um tempo de maturação e digestão dos conceitos que, às vezes, engole a nossa rotina acadêmica. Um espaçamento um pouco maior entre os ciclos ou uma flexibilização nos prazos das postagens ajudaria a diminuir aquela ansiedade inicial de "dar conta", permitindo que a gente saboreie o processo com ainda mais calma e menos peso de cobrança.

​Tudo isso me faz pensar na professora que habita em mim. Olhando para a mediação que recebi e para tudo o que partilhamos, entendo perfeitamente que tipo de educadora eu sou e quero continuar sendo. Eu me recuso a ser alguém que usa a tecnologia pelo mero uso instrumental, como se fosse só uma ferramenta fria. Não. Eu vejo esses recursos como artefatos vivos, culturais e repletos de possibilidades de emancipação. Essa transformação não é uma promessa para um futuro distante; é algo que eu já venho aplicando e vivendo na pele desde agora, modificando cada detalhe da minha prática pedagógica ao longo da disciplina. Saio desse ciclo com o copo pronto para ser preenchido de novo, com a certeza de que cada tijolo colocado até aqui valeu a pena e, acima de tudo, lembrando das palavras do sábio Alvo Dumbledore: “As palavras são, na minha não tão humilde opinião, nossa fonte mais inesgotável de magia. Capazes de ferir e de curar.” Que a minha escrita e a minha docência continuem sendo espaços de cura, afeto e transformação.








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