Olá, aventureiros de pesquisa!
Compartilho aqui as reflexões desta semana da nossa disciplina, movidas pelas intensas provocações do PBL 8. A proposta nos convidou a analisar a nossa própria práxis: o desenvolvimento da nossa atividade prática tem sido precedido pelas leituras teóricas, ou é a ação que nos motiva a buscar os autores? A resposta, vivenciada na criação do chatbot educativo com a persona do implacável "Professor Snape", revelou-se profundamente dialética. As leituras iniciais forneceram o alicerce epistemológico, mas a tentativa de programar a inteligência artificial expôs lacunas que me obrigaram a retornar aos textos. Foi preciso refinar comandos para garantir que o bot compreendesse a essência da transdisciplinaridade do STEAM e não aceitasse o uso raso da tecnologia. A prática testou a teoria, e a teoria calibrou a prática, evidenciando como o "A" de Artes traz o Design Thinking e o propósito social necessários para tornar as áreas de exatas mais inclusivas e atrativas para estudantes mulheres.
Em paralelo a essa construção, tenho mergulhado na leitura do livro ChatGPT Explicado (2023), de Helbert Costa, cujas discussões conectam-se de forma assustadoramente precisa com o nosso desafio educacional. Na obra, Costa analisa o impacto significativo da IA no atendimento ao cliente, destacando como ela possibilita uma comunicação eficiente, oferece respostas rápidas, personaliza a experiência com base no histórico do usuário e automatiza tarefas repetitivas. Essa automação, argumenta o autor, libera os atendentes humanos para lidarem com questões mais complexas. Trazendo essa lógica para o nosso contexto acadêmico, o chatbot atua como uma curadoria imediata que otimiza o tempo do professor no momento do planejamento educacional. Contudo, o ponto mais denso da reflexão de Costa reside nos riscos dessa integração. O autor adverte que a dependência excessiva da tecnologia pode levar à atrofia de habilidades humanas fundamentais, como o pensamento crítico, a resolução independente de problemas e a própria empatia.
Para mitigar esse risco e evitar as vulnerabilidades de um sistema dependente da máquina, Costa propõe uma virada de chave fundamental: a adoção de uma mentalidade de "IA Aumentada" em detrimento de uma "IA Substituta". O objetivo não é trocar o humano pela máquina, mas usar a IA para apoiar e aprimorar as nossas capacidades. É exatamente essa a premissa do nosso "Professor Snape". O bot que desenvolvemos não foi programado para entregar um plano de aula STEAM pronto para ser copiado, o que causaria a atrofia intelectual alertada por Costa , mas sim para atuar como um parceiro provocador. Ele questiona, exige fundamentação teórica e critica a adoção superficial de tecnologias, obrigando o docente a exercitar o seu pensamento crítico para justificar suas escolhas metodológicas.
Essa integração entre a teoria do PBL e as advertências de Helbert Costa me fez refletir intensamente sobre as limitações e os potenciais dos chatbots, e sobre a imensa responsabilidade que temos ao selecionar os recursos para as nossas aulas. Por mais refinada que seja a IA, ela carece de intencionalidade pedagógica e de empatia real; ela não lê as angústias da sala de aula. Portanto, não podemos nos limitar ou nos render a eles. A escolha de incorporar artefatos digitais, sejam simuladores, robótica ou plataformas 3D, não é um ato neutro. O verdadeiro letramento digital exige que avaliemos criticamente se o artefato escolhido promove a autêntica investigação e a colaboração exigidas pelo STEAM, ou se é apenas uma vitrine moderna para o ensino mecanicista. A tecnologia encanta e a IA pode, de fato, aumentar nossas capacidades analíticas, mas a intencionalidade, o rigor acadêmico e a essência humana do planejamento continuam sendo o coração insubstituível da docência.
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