quinta-feira, 7 de maio de 2026

Entre as Telas e a Tese: O Visível, o Oculto e a Cartografia da Nossa Pesquisa

 Hoje de manhã, vivemos uma daquelas experiências no grupo de pesquisa sobre a RIEH que transformam e ampliam o nosso olhar investigativo. Nos reunimos para um momento intenso de mapeamento cartográfico, com o objetivo de confrontar os dados que encontramos até agora. Mas, antes de mergulharmos nas análises dentro da sala, a dinâmica começou de uma forma inusitada e profundamente reflexiva.

O professor nos levou para fora e nos convidou a simplesmente olhar para o chão, aquele pedaço de terra, grama e raízes que tantas vezes passa despercebido na nossa correria diária. O mais interessante foi notar como cada um observou aquele mesmo espaço a partir da sua própria perspectiva. Houve quem focasse no imediato e no tangível: o mato, os pequenos bichos, a textura da terra, as raízes expostas. Outros, no entanto, enxergaram além da superfície: viram processos químicos e biológicos em ação, e até mesmo refletiram sobre como utilizar aquele ambiente como ponto de partida para ensinar o processo de fotossíntese.

Essa dinâmica no chão de terra nos mostrou, na prática, que há sempre coisas visíveis e não visíveis diante de nós. E é exatamente assim que funciona a cartografia na pesquisa. Quando olhamos para o nosso campo de estudo, nos deparamos com elementos que saltam aos olhos e outros que estão ocultos nas entrelinhas. A grande tarefa do pesquisador é justamente essa: ter a sensibilidade de confrontar todos esses dados, com suas diferentes camadas, e fazer o mapeamento cartográfico para compreender a totalidade do nosso objeto de estudo.

De volta à sala, levamos essa mesma percepção para os nossos dados concretos. Espalhamos nossos post-its e começamos o verdadeiro mapeamento da pesquisa. Foi o momento de classificar as tensões e os achados, identificando as nossas linhas duras (aquelas estruturas mais rígidas, institucionalizadas e normativas), as linhas maleáveis (onde percebemos flexibilidade, negociação e adaptação) e, finalmente, as linhas de fuga (as rupturas, os novos caminhos e as inovações que escapam do padrão).

Foi um exercício de imersão fundamental. Ele nos lembrou que pesquisar a educação e buscar compreender como os artefatos digitais e a cultura digital se integram aos nossos cenários exige ir muito além do que está posto na superfície. O chão que pisamos, assim como os dados que analisamos, está repleto de raízes profundas e possibilidades de fuga esperando para serem mapeadas.








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